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maio 05, 2010

Sobre a morte

   Graça, paz, bem, amor e verdade a todos.

    Você tem medo da morte?
 Eu tinha, mas não da minha morte, e sim da morte de pessoas queridas(principalmente da minha mãe).
Desde bem criancinha eu sofria só de pensar que minha mãe um dia morreria. Eu tinha verdadeira paura.
 Sabe o que é "bom" na morte? É que a gente não sabe o dia.
 Quem poderia imaginar que numa bela noite de calor e brisa, minha mãe daria entrada em um hospital e  nunca mais voltaria para casa? É, Ela nunca mais voltou. =(
  Minha mãe vivia dizendo: "Aproveitem enquanto vocês têm mãe, eu estou fazendo hora extra."
  Quando ela dizia isso e eu era criança eu chorava, depois que eu me tornei adulta eu também chorava e  ficava com raiva dela por dizer aquelas bobagens. Muitas vezes eu fiquei sem dormir à noite com medo de acordar no outro dia e encontar a minha mãe morta. É claro que ela dizia que não iria morrer e que tudo era bobagem da minha cabeça. Em partes ela tinha razão, mas vai colocar isso na cabeça de uma pobre e necessitada criatura. Minha mãe era muito doentinha, eu só poderia esperar o pior.
 Hoje eu vejo que o mais sensato a se dizer é : "Eu morrerei no dia que Deus quiser. E esse dia só Ele sabe."
 Eu dizia sempre que a morte é ruim para quem fica. E hoje digo que a morte é ruim para quem fica e para quem vai para o inferno. Depois que minha mãe morreu a morte se tornou natural para mim, tão natural quanto a vida. Se nós cremos na palavra de Deus, temos de crer em toda a palavra, não só naquilo que nos convêm. Deus não diz que somos imortais, pelo contrário:

A morte no livro do Eclesiastes:

1. Ninguém se lembra dos seus antepassados. E também aqueles que lhes sucedem não serão lembrados por seus pósteros (1,11).

2. Não há lembrança durável do sábio e nem do insensato, pois nos anos vindouros tudo será esquecido: o sábio morre com o insensato (2,16);

3. Há um tempo de nascer e tempo de morrer (3,2);

4. Tudo caminha para um mesmo lugar: tudo vem do pó e tudo volta ao pó (3,20);

5. Eu felicito os mortos que já morreram, mais que os vivos que ainda vivem (4,2);

6. Mais vale o dia da morte que o dia do nascimento (7,1b);

7. Mais vale ir a uma casa em luto do que ir a uma casa em festa, porque esse é o fim de todo homem (7,2);

8. Ninguém é senhor do dia da própria morte, e nessa guerra não há trégua (8,8);

9. Um cão vivo vale mais que um leão morto (9,4);

10. Os vivos sabem ao menos que irão morrer; os mortos, porém, não sabem, e nem terão recompensa, porque sua memória cairá no esquecimento. Seu amor, ódio e ciúmes já pereceram, e eles nunca mais participarão de tudo o que se faz debaixo do sol (9, 5-6).

 Fonte: http://www.abiblia.org/artigosview.asp?id=54

  Muita gente só dá olhos para o  "tempo de nascer, tempo de abundância, tempo de colher, tempo de rir..."
  O "tempo de morrer" nem te ligo... É claro que não é preciso nem certo cultuar a morte, mas temos de       olhá-la com olhos espirituais.
   Eu sempre disse que se minha mãe morresse eu morreria também. Pobre de mim! Por acaso eu mando na minha vida? Eu  marco e desmarco o dia da minha morte? Conversa fiada.
    Quando a minha avó materna morreu pensei que minha mãe não escaparia, assim tem sido comigo...
    A nossa cruz é no peso certinho para que possamos carregá-la.
    Eu estou feliz da vida com a morte da minha mãe? Não! Nem lembro que ela existiu? Não! É fácil passar por isso? Não!  Há dias em que sinto taaaaaaaanta falta dela que só Jesus para ter misericórdia.  Sabe assim, parece que se está anestesiado? Sinto falta da doçura e sensibilidade da minha mãe. Por mais que eu tivesse problemas, a vida com ela era mais leve, colorida e alegre. Era uma pessoa que elevava o espírito.
Deus cuida sempre de mim, mas aquela pessoa que fazia diferença na minha vida não existe mais. 
 Eu sempre esperei a minha mãe voltar. Até hoje ainda tenho essa sensação. Prefiro nem pensar que ela não voltará, mas ao mesmo tempo digo para mim que ela MORREU. Não tem como tapar o sol com a peneira...
 Tem sido assim, vivo pela misericórdia e cuidados de Deus. E glória a Deus por isso!
 Eu me surpreendo a cada dia por estar bem viva e ter passado pelo vale.
 Todas as pessoas que conversam comigo(cristãs ou não) sobre a morte da minha mãe são unânimes em dizer:  "Só Deus pode confortar o seu coração."
  A morte era única certeza que eu tinha. Hoje eu tenho duas: da morte e da cura.

   Senhor, eu preciso ser curada hoje. Cura, Senhor, aqueles que padecem com a morte de alguém.
    Nós ainda estamos vivos.
     Amém.


Cura, Senhor
Pe. Antônio Maria

"Cura Senhor, onde dói
 Cura Senhor, bem aqui
 Cura Senhor, onde eu não posso ir


Quando a lembrança me faz, adormecer
Sabes que a espada da dor entra eu meu ser
Tu me carregas nos braços, leva-me com teu abraço
Sinto minha alma chorar, junto de Ti


Tantas lembranças eu quero, esquecer
Deixa um vazio em minha alma e em meu viver
Toma Senhor meu espaço, te entrego todo o cansaço
Quero acordar com tua paz a me aquecer"

março 19, 2010

Lembranças e impressões

A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;
                                                                                                                                       Mateus 6:22
 Graça e Paz .

  Hoje, arrumando a cama dos meus pais eu me lembrei muito nitidamente da minha mãe. Sempre que eu estendia a colcha de crochê ela dizia: "Tá do avesso, tá do avesso!"; e eu: "Como assim, crochê lá tem avesso?!" E pior que tem!!  Minha mãe era muito prendada; cuidava da casa com tanto zelo. Bordava(quando jovem), tricotava, crochetava, fazia comidinhas deliciosas. Vivia fazendo rosca, pão de queijo, biscoito, bolo, pudim, gelatina, pois achava que seus "meninos" não podiam ficar sem comer!!
Penso que era um jeito de fazer carinho, de dizer "te amo".
  Nunca mais saberei qual é o avesso do crochê; não como ela me dizia: "Tá vendo aqui, ó, o nózinho?!" Eu não via nózinho nenhum, achava que avesso e direito de crochê era tudo igual, mas concordava e estendia a colcha novamente. =)
  A minha mãe  era uma criança grande; brincava comigo, sonhava comigo, achava graça das minhas palhaçadas e ideias um tanto diferentes. Hihi. Eu sinto muita falta de suas brincadeiras, do sorriso solto como o meu, sinto falta de ter com quem conversar os assuntos mais variados e inusitados... Sinto falta dela na feira de domingo, para comprar milho e toucinho. Rs..
Não tem sido fácil conviver com dois homens( pai e irmão) que praticamente não conversam e não riem; eu os amo, mas gostaria de sentir a casa cheia de vida novamente.
 Apesar dos pesares, Deus tem me dado graça sem fim. A superação da morte tem sido além das minhas expectativas. Não tenho mais minha mãe para conversar, sorrir, brincar, mas Deus é o meu Paizinho querido que cuida de mim e da minha família. Com Deus eu não tenho restrições:  sorrio, me alegro, sonho, eu o abraço, o beijo, choro no seu ombro e conto tudo a Ele, absolutamente tudo.  Não há ninguém que possa cuidar de mim melhor do que o meu Paizinho. =)
   Sou feliz e louvo a Deus porque tenho uma história de mãe para contar, tenho amor de mãe para dizer como é. Tenho fé que saberei ser uma boa mãe. Sou feliz, porque da morte Deus tira a vida. Sou feliz porque o meu Pai é pai do doutor, do analfabeto, do milhionário, do mendigo, do bem apessoado, do não tão bem apessoado, do que tem, do que teve, e do que não tem mãe.  Sou feliz porque meu Pai é tão vivo e tão presente que parece que posso tocá-lo. Meu Pai preencheu o vazio que se vez com a morte, coloriu o dia que ficou cinza. Me apeguei a Ele com todas as forças do meu coração, o AMOR Dele me sustenta, me fortalece, é meu rochedo seguro. Eu O louvo pela vida do meu pai, dos meus irmãos, sobrinhos, família toda. Minha mãe morreu; eu não, e quem me dá vida é Jesus.  =)
Pai amado, eu te louvo, exalto, glorifico, te amo e peço que o Senhor abençoe os que lêem este blog.
 Em nome de Jesus, Amém.

 "O Deus do impossível
  Não desistiu de mim
  Sua destra me sustenta
  E me faz prevalecer ..."